O Bayern de Munique mostrou sua grandeza a todo o planeta ao derrotar o Real Madrid no primeiro jogo da semifinal da Liga dos Campeões, na última terça-feira. E de fato foi impressionante. Mas dentro da Alemanha quem manda e desmanda, ao menos nos últimos dois anos, é o Borussia Dortmund. Prova disso é a condição para levantar o segundo troféu consecutivo do Campeonato Alemão e levar o tradicional e tão sonhado "banho de chope": apenas vencer uma das últimas três partidas. A primeira chance será neste sábado, contra o xará Borussia Mönchengladbach, em um Westfalenstadion pulsante, como tem sido rotina há algum tempo.
A média de público é simplesmente a maior do mundo. Em cada um dos 15 confrontos que fez em casa, o Borussia levou em média 80.495 pessoas ao seu estádio, também conhecido como Signal Iduna Park - é o único clube dentre as principais ligas a superar a barreira dos 80 mil (veja na tabela abaixo).
- A torcida faz parte da fórmula do segredo do time. É muito legal estar jogando para mais de 80 mil pessoas. A gente costuma brincar que não existe torcida mais brasileira na Alemanha do que a nossa, pois foge um pouco do padrão europeu de só bater palma e assistir como se fosse teatro. Eles vibram, apoiam a cada segundo e transformam o estádio em um caldeirão - disse o zagueiro brasileiro Felipe Santana, ex-Figueirense, que deverá começar jogando neste sábado após boa atuação no clássico contra o Schalke 04.
Messis genéricos
Confira as melhores médias de público da Europa
Borussia Dortmund (Alemanha) 80.495
Barcelona (Espanha) 77.019
Manchester United (Inglaterra) 75.373
Real Madrid (Espanha) 73.906
Bayern de Munique (Alemanha) 69.000
Além do fator extracampo, o técnico Jürgen Klopp conta com o talento raro de dois baixinhos meio-campistas não muito semelhantes fisicamente, mas com um futebol que rende comparações empolgantes com o melhor jogador da atual década.
Mario Götze e, principalmente, Shinji Kagawa são dois dos destaques de uma campanha brilhante dos aurinegros, que somam 72 pontos, oito a mais que o vice-líder Bayern de Munique, e 23 à frente do Stuttgart, o primeiro não classificado à próxima edição da Champions. Götze recebeu o apelido de "Messi alemão" direto do ídolo Franz Beckenbauer, enquanto Kagawa tornou-se a versão japonesa do craque do Barcelona.
- São dois jogadores distintos, mas que combinam quando estão jogando juntos. Não só o Mario, nossa equipe já tem uma marca, um jeito de jogar. Independente do jogador que entra ou saia, vai ser a mesma porque é daquele jeito. O Mario já provou para o mundo inteiro que é um craque, gênio, em um espaço de 10 centímetros pode mudar o jogo, fez gol contra o Brasil... E o que assunta é que tem apenas 19 anos e toda essa frieza. Sobre o Kagawa a gente brinca que tem três olhos, pois tabela muito rápido, não perde a bola e joga com os dois pés. Essa combinação tem dado certo, e quem agradece por isso somos nós - afirmou Santana, que se afastou entre janeiro e abril por conta de uma lesão no pé e um estiramento na barriga.
- Foi até curioso ter esse estiramento, passei alguns meses difíceis, mas agora estou de volta para os jogos decisivos. É o crème de la crème, como já estão dizendo por aqui - brincou.
Nada de Barcelona
Para chegar até esta situação confortável, o Borussia teve de se reinventar. Fiel ao estilo ofensivo de Jürgen Klopp, a equipe perdeu Götze, lesionado por boa parte da temporada, e Nuri Sahin, vendido ao Real Madrid. O paraguaio Lucas Barrios, herói da conquista anterior, também caiu de rendimento e viu o polonês Lewandowski brilhar, com 20 gols no Alemão. Apesar das características, Felipe Santana nega qualquer influência direta do Barcelona, visto como modelo na atualidade.
- A nossa equipe conseguiu criar uma identidade própria, Do meio para frente temos jogadores fenomenais, até alguns craques. E dificilmente levamos muitos gols. Procuramos sempre tocar rápido a bola, estar fazendo o que a gente sabe, que é o jogo para frente. O Barcelona serve de escola para muitas equipes, mas temos a nossa própria cara - definiu.
Grande parte do mérito vem de um treinador até certo ponto jovem e explosivo. Klopp tem 44 anos e assumiu o Dortmund em 2008 depois de uma passagem de sete temporadas pelo Mainz 05. De personalidade forte, ele costuma aparecer principalmente nas comemorações dos gols, quase sempre de boné do clube e correndo pela linha lateral. Caso o título saia já neste sábado, certamente ele não escapará do "banho de chope".
- É tudo que a galera está pensando (risos). O que a gente quer é não adiar esse chope e conquistar o título já agora. Não existe situação melhor para levantar o caneco, seríamos a primeira equipe da Europa a definir o campeonato e ainda ao lado da nossa torcida. O Klopp vive cada jogo como se fosse o último e cobra isso de todos nós. Quem sabe agora não acaba virando a nossa realidade e possamos colocar um fim nisso - sonhou Felipe Santana.
Por Victor Canedo
Rio de Janeiro



