Testemunhas de acusação depõem em processo sobre Mendes Jr.
A Justiça Federal de Curitiba ouviu nesta quarta-feira (11) quatro testemunhas de acusação arroladas no processo que envolve executivos da construtora Mendes Jr., na Operação Lava Jato. Foi o oitavo dia de oitivas comandadas pelo juiz Sergio Moro, que devem se estender até o fim da semana.
Foram ouvidos os executivos da Toyo Setal Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Julio Grein de Almeida Camargo, a ex-contadora de Alberto Youssef, Meire Bonfin da Silva Poza, e o dono do laboratório Labogen, apontado como laranja do doleiro, Leonardo Meirelles.
O advogado Marcelo Leonardo, que representa a Mendes Jr., disse que os depoimentos comprovaram que a empresa trabalhou com "lisura" e que foi vítima de extorsão.
Ao deixar a audiência, a contadora Meire Poza afirmou que GFD Investimentos emitiu notas fictícias entre R$ 3 e R$ 4 milhões para a Mendes Jr. “Nunca houve a prestação de serviço de nenhuma nota”, disse.
A testemunha também afirmou que Youssef tinha uma relação “bem estreita, bem próxima” com um dos réus, Ricardo Pessoa, presidente da UTC, uma das construtoras investigadas e acusado de ser o líder de um “clube” de empreiteiras criado para fraudar licitações da Petrobras, conforme denúncia do Ministério Público.
“Eles tinham amizade, eles tomavam café juntos todos os sábados”, afirmou. Segundo ela, Pessoa visitou Youssef no hospital por diversas vezes quando o suposto operador da Lava Jato sofreu um infarto. “Tinha uma relação de amizade.”
Em novembro, o advogado de Pessoa, Alberto Zacharias Toron, havia afirmado que a relação de seu cliente e Youssef era apenas de negócios.
O dono do laboratório Labogen Leonardo Meirelles voltou a afirmar que está colaborando com a Justiça. “Alberto Youssef não é meu sócio. Não sou e nunca fui laranja dele”, disse. “Cometi um erro, estou aqui pagando por ele.”
Os depoimentos fazem parte dos processos da sétima etapa da Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), deflagrada em novembro e que culminou na abertura de seis ações penais contra executivos de empreiteiras, além de ex-diretores da estatal e pessoas acusadas de operar o esquema de pagamentos de propina.
Os executivos são ligados às empresas Engevix, Mendes Júnior, Galvão Engenharia, OAS, Camargo Corrêa e UTC.
Rosanne D'Agostino
Do G1 PR