Os homens fortes de Paulo Câmara

Os nomes distribuídos nas 22 pastas do governo que se inicia no dia 1º de janeiro fazem parte do “jogo jogado” por Paulo Câmara (PSB). Tão logo o secretariado foi anunciado, começaram as reflexões de quem integraria aquele grupo seleto, que passará os próximos quatro anos “ombro a ombro” com o governador eleito. Quem é o Geraldo Julio (prefeito do Recife) de Paulo Câmara? Quem é o “Paulo Câmara” da nova gestão? Isto é, os homens que fazem e têm a “máquina nas mãos”. Não houve muitas surpresas. O técnico que virou político repetiu praticamente o grupo com quem trabalhou quando foi secretário do ex-governador Eduardo Campos, seu padrinho político.
Paulo levou à pasta de Planejamento e Gestão, que serve como um maestro para os demais secretários, o deputado federal reeleito Danilo Cabral (PSB). A função é estratégica e de destaque. Basta dizer que saiu dela o “escolhido” (Geraldo Julio) para disputar a Prefeitura do Recife em 2012. Danilo, que é auditor do Tribunal de Contas, conheceu Eduardo Campos ainda nos tempos estudantis. Foi ele quem apresentou Geraldo Julio e Milton Coelho (futuro secretário de Administração), que também são auditores do TCE a Eduardo. Danilo é o nome mais políticos entre os “técnicos”. Já obteve mandato de vereador do Recife, foi coordenador da campanha de 2006 de Eduardo, e, por duas vezes, deputado federal. Era um dos nomes especulados para sair candidato a prefeito em 2012, mas foi preterido.
No que tange às articulações políticas, o médico Antônio Figueira, futuro secretário da Casa Civil, também faz parte desse “núcleo duro”. Filho de Fernando Figueira, fundador do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), ele já foi secretário-adjunto de Saúde do governo Arraes entre 1996 e 1998. Depois, foi o titular da pasta de 2011 a abril deste ano no governo Eduardo e nas últimas eleições coordenou a campanha de Paulo Câmara.
Figueira tem um estilo que agradava bastante a Eduardo já que evita estar no centro das atenções e tem uma atuação mais forte nos bastidores. Na Casa Civil, ocupará o posto que um dia já foi do deputado federal Tadeu Alencar (PSB), cotado até o início deste ano para ser o sucessor de Eduardo. As urnas podem estar no caminho de Figueira. Alguns socialistas apontam em reserva que ele é um nome para ser trabalhado para o Senado ou para a Câmara Federal nas próximas disputas. Tudo, no entanto, vai depender da sua passagem pela Casa Civil. Caberá a ele mostrar que, numa estrutura de governo distinta da que já atuou, terá habilidade política para lidar com os deputados estaduais e prefeitos. Para isso, ele se cercou dos socialistas André Campos e Anchieta Patriota como auxiliares.
do Jornal do Comércio.