Demissões em Suape afetam ritmo do comércio varejista no Grande Recife
Protestos e seguidas audiências na Justiça trouxeram à tona o impasse envolvendo as demissões em massa de operários que atuaram em grandes empreendimentos no estado, sobretudo no Complexo de Suape, no Grande Recife. Esse processo de desmobilização de mão de obra, no entanto, tem gerado repercussão negativa não só entre os milhares de trabalhadores afetados: o mercado consumidor da Região Metropolitana também sentiu o baque. Pelo menos é o que aponta uma sondagem do Instituto Fecomércio com as expectativas do comércio varejista para este fim de ano. Nesta quinta (11), operários que atuaram na construção da Refinaria Abreu e Lima começaram a acertar as rescisões dos contratos de trabalho.
De acordo com o estudo, a própria conjuntura econômica nacional, com crescimento da inflação e queda no ritmo de crescimento da renda, tem afetado o ritmo no varejo. Em Pernambuco, a conclusão da fase de implantação de empreendimentos estruturadores em vários municípios se soma a esses fatores, já tendo afetado o ritmo de vendas no meio do ano. Um levantamento feito pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em Geral (Sintepav-PE) a pedido do G1 constatou que, apenas no segundo semestre de 2014, cerca de 5 mil demissões, a maioria de Suape, foram homologadas na sede da entidade, na Zona Oeste do Recife.
Segundo o sindicato, esse quantitativo é ainda maior, já que o levantamento não incluiu as demissões homologadas em subsedes como Ipojuca e Salgueiro, por exemplo. “A Alusa [terceirizada que presta serviço a Petrobras] mesmo não vem recebendo os créditos e por conta disso são quase 5 mil trabalhadores sem receber. Tudo isso causa um grande impacto, atrasa as contas, não tem como gastar no comércio em pleno final de ano”, lamenta o presidente do Sintepav-PE, Aldo Amaral. Entre setembro e outubro, foram 4,7 mil desligamentos na Alusa.
O estudo da Fecomércio revelou que o valor médio que o consumidor pernambucano deve gastar com as comemorações de fim de ano é de R$ 922,80. Na Região Metropolitana do Recife, contudo, esse valor cai para R$ 784. Em Salgueiro, onde também há grandes empreendimentos sendo tocados, a quantia é ainda menor: R$ 718,33. Na cidade, as obras da Transposição já cortaram algo em torno de 400 trabalhadores desde outubro. Diariamente, entre dez e 15 operários são demitidos. No quesito expectativas de compra, os municípios do Agreste ficaram nas melhores posições. Em Garanhuns, o valor médio que o consumidor pretende gastar é de R$ 1.405,77. Santa Cruz do Capibaribe vem logo em seguida, com R$ 1.057,48.
Renan Holanda
Do G1 PE