'Rei do Acesso', Paulo Júnior quer ir do Chã Grande para um time grande Treinador comandará estreia da Raposa na elite do Estadual e reclama por não ter chances no Sport, Náutico e Santa Cruz

Neste ano, o técnico Paulo Júnior comandará o estreante Chã Grande no Campeonato Pernambucano. Mais uma temporada, mais um time pequeno do futebol estadual necessitando dos serviços do treinador. Antes da Raposa, Salgueiro, Atlético-PE, Serra Talhada, América-PE, Araripina e Cabense contaram com o "rei do acesso", como o treinador se autodenomina, para colocar ordem na casa. Nos últimos nove anos, o nome Paulo Júnior vem atrelado ao lado interiorano da competição.
- Tenho mercado em todos os clubes do interior. Sou o Rei do Acesso, pois venho de três da Série A2 com América, Serra Talhada e agora Chã Grande. As equipes sabem disso e me querem. Mas este ano quero acabar de ficar disputando a Segunda Divisão, tenho que continuar na elite - disse o treinador que no primeiro semestre trabalha na Série A1 do Pernambucano e no segundo sobe algum clube na A2.
Aos 48 anos, Paulo Júnior é um ex-zagueiro que terminou a carreira na metade da atual idade por reconhecer que não tinha futuro na profissão. Sua peregrinação por clubes pequenos começou quando era atleta e defendeu os extintos Paulistano e Santo Amaro. Resolveu ser preparador físico (passando pelos grandes do Recife) até virar treinador em 2004, com o Atlético-PE.
- Os clubes pequenos me procuram porque sou competente e faço boas campanhas com eles. Já dei muito sufoco em Sport, Náutico e Santa Cruz e sei que poderia crescer mais. Só que esses clubes não contratam treinadores locais. Talvez os tricolores pela fase, mas com alvirrubros e rubro-negros é impossível.
Natural de cidade de Paulista (Região Metropolitana do Recife), "o local" Paulo Júnior já não está mais satisfeito com o mercado reduzido que possui. Ele critica a falta de oportunidade no Náutico e no Sport e tem uma explicação para não ter a tão aguardada chance.
- Refleti sobre o motivo deles não darem chances aos técnicos pernambucanos. Se um dirigente de Náutico ou do Sport contrata um treinador local, os torcedores irão cobrar os resultados ao cartola que pagou pelo treinador. Agora, se vem um professor de outro estado, aí o foco muda, a pressão vai cair diretamente no comandante de renome. Por isso não tenho chance. Eles querem fugir dessa responsabilidade. É mais cômodo.
Paulo Júnior enxerga a saída do rótulo de "treinador local". Ele tem um plano de sair de Pernambuco para começar a ter valor na terra natal. Como a única experiência fora foi na Paraíba, com o Esporte de Patos, em 2009, o treinador mira os vizinhos como paraíso de uma nova fase.
- Primeiro tenho que fazer uma boa campanha com o Chã Grande para chamar a atenção e então procurar outros ares. Daí, teria condições para o meu sonho, que é treinar o Treze ou o Campinense. Seria uma porta para trabalhar na Copa do Nordeste e fazer uma “ferida” em alguns times. Só assim poderia ter alguma chance com os grandes pernambucanos, pois viria de fora, teria destaque. Costumo fazer boas campanhas, queria apenas um elenco de folha salarial como essas equipes possuem.
Fonte: Por Lula Moares Chã Grande, PE