Bombeiros suspendem trabalhos em mercadinho que desabou no Recife Após ouvirem estalos, profissionais decidiram continuar remoção na quarta. Codecir vai realizar vistoria; Dircon diz que local tem alvará de funcionamento.

Os bombeiros suspenderam, por volta das 17h, o trabalho de remoção dos entulhos da laje do mercadinho Maranata, que desabou no início da tarde desta terça-feira (15), na Rua Roraima, bairro da Várzea, no Recife, porque ouviram alguns estalos. Os profissionais não encontraram mais vítimas nos escombros, apenas uma mulher que foi atingida. Uma família que mora em um vão localizado no primeiro andar do estabelecimento comercial, onde funciona o depósito, e ocorreu o desabamento, está impedida de entrar na casa. A Coordenadoria de Defesa Civil do Recife (Codecir) vai avaliar o imóvel apenas na quarta (16), às 8h30.
O mercadinho funciona no térreo e no primeiro andar fica o depósito e a casa onde mora uma família. O que dasabou foi a parte central do teto do mercadinho, ou o chão do depósito, a parte da casa não cedeu, mas ainda corre o risco de cair, segundo o Corpo de Bombeiros. O advogado do mercadinho, Marco Menezes, disse que o estabelecimento passou por reformas antes da inauguração e que todos os órgãos liberaram para funcionamento.
"Meus clientes abriram esse mercado há cerca de sete meses e, antes de inaugurar, contrataram empresa de engenharia para fazer algumas reformas necessárias. Depois, os bombeiros fizeram vistoria e concederam licença. Temos também o alvará da Prefeitura do Recife. Não estou com os documentos agora porque eles estão no depósito, que está interditado. Fomos pegos de surpresa mesmo. Vamos torcer primeiro que não haja mais vítimas e esperar o laudo da Defesa Cívil sobre a causa do desabamento para depois tomar as medidas cabíveis, até mesmo indenizar a vítima", falou Menezes.
De acordo com a Diretoria de Controle Urbano do Recife (Dircon), o mercadinho possui alvará de funcionamento, mas o órgão vai aguardar o laudo da Codecir para, se for o caso, notificar o proprietário. A família que mora em cima do mercadinho vai passar a noite na casa de parentes. Uma casa que fica ao lado do mercado também pode ser interditada. Mesmo que remota, os bombeiros ainda não descartam a possibilidade de ainda haver pessoas embaixo da laje que desabou.
Uma equipe com três profissionais da Coordenadoria de Defesa Civil do Recife (Codecir) chegou por volta das 16h30 ao local, mas não conseguiu realizar a vistoria porque os bombeiros não terminaram a remoção dos entulhos e mercadorias do estabelecimento. De acordo com a Codecir, o desabamento foi ocasionado por sobrecarga na laje. A equipe informou que já do lado de fora do imóvel dá para perceber que a construção do mercado tem erros, vícios, como por exemplo a dimensão das ferragens que é aparentemente frágil. Segundo o órgão, o estabelecimento não deve ter tido um projeto arquitetônico nem de engenharia.
Cinco equipes de resgate do Corpo de Bombeiros foram enviadas para o local. Os profissionais socorreram uma cliente, Cenira Pacheco Santana, 44 anos, que estava no caixa do estabelecimento e foi atingida no desabamento. Ela foi levada para o Hospital Getúlio Vargas. A unidade não informou o estado de saúde, apenas afirmou que a mulher ainda está sendo examinada pela equipe médica. Segundo a sobrinha da vítima, a mulher teria ido ao mercadinho comprar leite para a neta recém-nascida. Seis pessoas que estavam no estabelecimento na hora do acidente conseguiram escapar sem ferimentos. O tenente coronel José Jorge Soares acredita que ainda há risco de desabamento, do que sobrou da laje.
Uma equipe da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) foi chamada para desligar a rede elétrica do estabelecimento e facilitar a entrada das pessoas que trabalham no resgate. A Rua Roraima foi interditada.
Fonte: do G1