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A venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol na Copa do Mundo de 2018 também vem gerando muitas discussões na Rússia. Faltando seis anos para o torneio na Europa, o país já começa a estudar uma emenda constitucional para permitir a comercialização durante o evento e promete uma nova lei, processo semelhante à criação da Lei Geral da Copa no Brasil para 2014.
O presidente Vladimir Putin, que em 2005 assinou uma lei que proíbe não só a venda de cerveja nos estádios, mas também a veiculação de anúncios de bebidas alcoólicas em arenas esportivas, deu garantias para a Fifa de que fará de tudo para proteger os parceiros comerciais da entidade. Documento parecido foi assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2007 para receber o Mundial no Brasil daqui a dois anos (veja a íntegra em inglês e português abaixo).
O assunto é tratado com rigor na Rússia. Em 2008, a Prefeitura de Moscou chegou a proibir a venda de álcool no centro da capital durante a partida entre a seleção russa e a Espanha, pela semifinal da Eurocopa, na cidade austríaca de Viena. A medida foi semelhante à implantada em feriados nacionais. Também ficou proibida a comercialização de refrigerantes em garrafas de vidro até o dia seguinte ao jogo.
Para o jornalista russo Grigory Telingater, que trabalha no "Sport-express", o tema ainda vai render muito. Mesmo assim, acredita na aprovação da lei temporária, principalmente porque Vladimir Putin se mostra muito interessado na boa organização da Copa. Assim, deve fazer uma pressão sobre os parlamentares.
- Aqui na Rússia também existem muitas discussões sobre a venda de bebidas na Copa do Mundo de 2018. Eu não tenho dúvidas que o governo vai criar uma lei para agilizar esse processo. O presidente se preocupa muito com a Copa. No Campeonato Russo, por exemplo, é possível comprar bebidas alcoólicas nos setores vips. Creio que não haverá problemas nas cidades.
Em nota, o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2018 confirmou que o compromisso firmado com a Fifa será analisado para alterar da legislação do país. O projeto de lei já foi apresentado ao parlamento para ser aprovado. Só depois da votação o texto será encaminhado a Putin.
- Mas tudo isso não será agora. Ainda temos seis anos - disse Grigory.
Confira o comunicado do comitê de 2018 explicando a possibilidade da criação de uma lei para a Copa na Rússia:
"A atual legislação da Federação Russa não permite vender ou fazer propaganda de
cerveja perto ou dentro de instalações desportivas. No entanto, o governo da Rússia já tem
garantias assinadas que protegem os parceiros comerciais da Fifa (empresas de cerveja são um patrocinador categoria atual Fifa) contra qualquer restrição de seus direitos de publicidade para a Copa do Mundo de 2018. Esses compromissos serão atualizados e apoiados dentro do Mundial, que irá alterar a legislação do país em conformidade. O projeto desta Lei Copa do Mundo foi recentemente submetido ao governo para análise e pode ser aprovado este ano."
Lei Geral da Copa: Brasil ainda debate venda de bebidas
No Brasil, o projeto da Lei Geral da Copa foi aprovado pela Câmara dos Deputados depois de muita polêmica sobre a venda de bebidas e preços dos ingressos e agora espera a votação do Senado, que ainda não marcou data para analisar o texto. Em seguida, a lei deverá ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff.
Até o momento, a questão da venda de bebidas nos estádios em 2014 ainda não está definida, apesar da pressão da Fifa: um dos principais patrocinadores da entidade na Copa é uma cervejaria.
O texto aprovado pela Câmara suspende o artigo do Estatuto do Torcedor que proibiria a permanência de bebidas alcoólicas dentro dos estádios. A partir daí, existem duas interpretações. Para o governo, isso automaticamente suspende qualquer legislação estadual que proíba a venda, e implica no cumprimento das garantias dadas à Fifa. Para os líderes, a redação exigirá negociações com estados e com o Ministério Público.
O texto aprovado na comissão inicial da Lei Geral explicitava a liberação, mas, por causa disso, enfrentou resistência de deputados, principalmente da frente parlamentar evangélica. Assim, a retirada do artigo foi um dos principais fatores que permitiram a votação do texto.
Fonte: Globo esporte.com

