Diretoria do Náutico credita crise a falta de reforços e mantém Waldemar Armando Ribeiro, diretor de futebol alvirrubro, assegura permanência do treinador e afirma que culpa pela queda da equipe é também dos dirigentes

Após um bom início no Campeonato Pernambucano, o Náutico despontou como um dos grandes favoritos ao título do Estadual. Principalmente porque os grandes adversários, Santa Cruz e Sport, demoraram a engrenar na competição. Porém bastaram cinco rodadas sem vitórias para a crise se instalar nos Aflitos. Ao final de cada partida, crescem os rumores sobre uma possível demissão do técnico Waldemar Lemos, situação agravada devido a algumas declarações de dirigentes alvirrubros que, apesar de garantirem que o treinador seguia no cargo, fizeram questão de frisar que futebol é resultado.
Para o diretor de futebol do clube, Armando Ribeiro, o mau momento vivido pelo Timbu não pode ser creditado apenas ao treinador. Na avaliação do dirigente, a culpa pela queda de rendimento da equipe é algo que deve ser dividido por todos.


- Fizemos uma reunião onde avaliamos os motivos que fizeram o clube cair de rendimento. Chegamos à conclusão de que perdemos peças importantíssimas, como Cascata e Rogério e não conseguimos repor essas peças. Além disso, alguns jogadores estão rendendo menos do que o esperado. Então, todos possuem culpa no cartório.
Na avaliação do dirigente, o grande equívoco da diretoria alvirrubra foi não ter conseguido reforçar a equipe na mesma intensidade que o clube perdeu jogadores. De acordo com Armando Ribeiro, apesar de Waldemar Lemos ter pedido um tempo nas contratações, novos atletas deveriam ter chegado.
- Nós precisávamos ter reforçado a equipe para suprir as necessidades causadas pelas lesões. Mas, infelizmente, não conseguimos. Tentamos trazer alguns nomes que tivessem a condição de chegar e jogar, mas não tivemos sucesso. Conversamos com o Waldemar e ele nos falou que não queria novas contratações. Com isso, ficamos no meio do caminho, mas poderíamos ter tomado outra atitude. Então temos que fazer a mea-culpa, pois não podemos jogar tudo nas costas do Waldemar.
Diretoria nega reunião para demitir Waldemar Lemos.


Sobre as possíveis reuniões para acertar a demissão do treinador, Armando Ribeiro afirmou que os encontros tiveram outra motivação. Segundo o dirigente, as conversas foram para analisar o momento do clube.
- Não conversamos sobre demitir o Waldemar ou sobre nomes para substitui-lo. O que ocorreu foram conversas com o treinador, onde ele nos passou algumas dificuldades que está encontrando por um assunto pessoal dele, e nós também fizemos algumas colocações. Nada mais que isso.
Mesmo reconhecendo que o Náutico não está conseguido fazer uma boa campanha, o dirigente fez questão de destacar o trabalho que está sendo feito no Náutico. Na avaliação de Armando Ribeiro, apesar de os resultados não estarem acontecendo, o trabalho está sendo satisfatório.
- Sabemos que não estamos conseguindo os resultados, mas também temos que avaliar o trabalho. E o trabalho está sendo bem realizado.
O dirigente também fez questão de esclarecer que a diretoria está consciente de que as críticas que partem das arquibancadas são, em sua maioria, direcionadas ao trabalho da direção do clube e não para o treinador.
- Existe um clima de insatisfação muito mais com a diretoria do que com a comissão técnica. Até porque, quando algum jogador não vai bem, a culpa é sempre da direção.
Embora algumas indicações sejam feitas pelo treinador. O que ocorre é que futebol é imponderável. Às vezes um atleta joga bem em um determinado lugar e mal no outro, pois existem muitos fatores que interferem no rendimento.
De acordo com Armando Ribeiro, independentemente do que ocorrer no restante da competição, uma lição foi tirada da má fase da equipe: o grupo deve ser reforçado. Segundo o dirigente, o erro cometido no Campeonato Pernambucano não se repetirá para a Série A.
- Temos a consciência que precisamos reforçar nosso elenco, mas infelizmente não conseguimos repor algumas peças para o Estadual. Tentamos até a reta final do período de contratações, mas não deu. O ônus está aí, pois não temos muitas peças de reposição. Porém, tivemos uma reunião onde ficou decidido que iremos contratar, pelo menos, quatro jogadores que tenham condições de serem titulares. Não serão apostas para o futuro, nem jogadores que tenham tido um bom passado. Vamos buscar atletas que estejam desempenhando um bom papel. Lógico que isso não impossibilita que o atleta não dê certo, mas vamos qualificar o grupo.

Fonte: Globo Nordeste.