Ex-vice do Barça insinua que clube teve ajuda de juízes nos últimos anos Alfons Godall revela que relacionamento do ex-presidente Laporta com a federação foi fundamental: 'Temos que ficar do lado de quem tem poder'
José Mourinho, técnico do Real Madrid, ganhou um "aliado" nas reclamações sobre um suposto favorecimento dos árbitros ao Barcelona nos últimos anos. E logo na "casa" do rival: uma polêmica entrevista de Alfons Godal, vice-presidente do clube catalão durante a gestão de Joan Laporta (entre 2003 e 2010), aumentou a polêmica na imprensa espanhola nesta sexta. Segundo Godal, na sua época os juízes "ajudavam" mais o time treinado por Pep Guardiola do que atualmente.
Em entrevista ao canal "La Sexta", Godal criticou a distância do atual presidente, Sandro Rosell, em relação aos poderes do futebol espanhol, como federação e conselho de arbitragem. As declarações viram tema de discussão de torcedores do Real Madrid na internet e o assunto foi batizado como "Barçagate" no Twitter, em referência às investigações do caso "Watergate", que levou à renúncia do presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, em 1974.
- Temos que ficar do lado de quem tem poder e não lhes dar as costas. Laporta cultivou muito, e a fundo, as boas relações com as instituições e isso nos ajudou - disse.
Segundo a imprensa espanhola, essa "boa relação" começou graças ao apoio do Barcelona ao atual presidente da federação nas últimas eleições: Ángel María Villar. Florentino Pérez, do Real Madrid, e outros dirigentes de clubes teriam ficado do lado de Gerardo González, candidato derrotado.
- Que presidente Florentino apoiava? Gerardo González. Então o Barça teve que apoiar Villar e ter uma boa relação com a federação, onde ficam os comitês de árbitros, os responsáveis por fazer a organização dos campeonatos...
No entanto, com a saída de Laporta, quem assumiu foi Sandro Rosell, que teria se distanciado destes "contatos". Nos últimos anos, houve diversos casos polêmicos envolvendo o Barcelona e arbitragens, especialmente em competições europeias. Basta lembrar o jogo com o Chelsea, na Champions de 2009, quando o time inglês teve quatro pênaltis não marcados, e as semifinais da última Liga dos Campeões, contra o Real Madrid, com a polêmica expulsão de Pepe.
- Se digo ao juiz e à Uefa o que penso e o que sinto, minha carreira acaba hoje. Como não posso dizer, só tem uma pergunta que um dia espero ter a resposta: por quê? Por quê? Estamos falando de uma equipe fantástica, digo isso várias vezes. Mas por que o Chelsea não pôde ir à final há três anos? Por que no ano passado o Inter de Milão teve que fazer um milagre? Por que este ano acabar com a eliminatória logo no primeiro jogo? Não sei se é a publicidade da Unicef, se são muitos simpáticos... Não sei, não entendo. É um time fantástico, mas tem muito poder. Os outros não têm possibilidade. O futebol é para se jogar de igual para igual, com regras para todos. Depois, ganha o melhor - disse Mourinho após a derrota no primeiro jogo da semifinal da Champions 2010/2011.
Fonte: Globo Nordeste.

