Não importa o adversário e, muito menos, o resultado. Se o jogo é nos Aflitos, o Náutico sempre conta com a cobrança de parte da torcida. O grande exemplo disso ocorreu após a vitória por 3 a 1, contra o Belo Jardim, neste domingo. Depois do apito final, e mesmo com a vitória, alguns torcedores passaram a criticar o técnico Waldemar Lemos e seus jogadores. A atitude deixou o comandante alvirrubro revoltado.
Mesmo tendo voltado à vice-liderança do Campeonato Pernambucano, com 25 pontos, o clima nos vestiários dos Aflitos era o pior possível. O que, na avaliação de Waldemar Lemos, é algo inaceitável.
- É impossível fazer só coisas boas, existe um adversário que também tenta jogar. Mas o que importa no futebol, não é o resultado? Você tem que vir para torcer, não para menosprezar. Mas o clima aqui dentro é esse. Quando jogamos aqui, é sempre assim.
O “duelo” entre parte da torcida e equipe é algo que já se transformou em rotina. Até mesmo na campanha da Série B, onde o clube conquistou o acesso para a elite do futebol nacional, a relação com as arquibancadas já não era boa. Situação que faz o treinador perder a calma.
- Este ano, nós estamos jogando um bom futebol. Mas no futebol, as coisas não ocorrem de uma hora para outra. Agora, com negativismo é muito difícil. A gente só recebe coisas negativas. Mas não vou aceitar que nos tratem dessa forma.
A ira do treinador era direcionada, especialmente, para um torcedor. Que, de acordo com Waldemar Lemos, não faz oura coisa além de tentar desestabilizar a equipe.
- É um velho que se veste de árabe e só vem para xingar. Não sei se é um dentista, se é um gari. Eu só sei que eu não vou dentro dos escritórios para xingar, ao consultório do dentista para criticar. Mas, no futebol, vale tudo. O médico atrasa, o gari não passa, o avião demora e a gente respeita. Aí quer vir fazer bagunça aqui? Vá fazer bagunça na casa dele. Eu queria saber se ele faz isso com o filho dele, quando tira uma nota ruim.
Antes de encerrar a participação na entrevista coletiva, o técnico ainda fez questão de lembrar o episódio onde pediu para que a torcida deixasse seus jogadores trabalhar.
- Eu não aceito. Colocamos esse time na Séria A. Foi 3 a 1 o jogo, o Náutico não perde aqui há muito tempo. Já falei ano passado, vão ter que me matar. Se não gostam de me ver trabalhar, me espera no final das partidas e faça o que tem que ser feito.
Fonte: Globo Nordeste.
