Pernambucano: Em apenas um mês, seis atletas rompem os ligamentos GLOBOESPORTE.COM/PE inicia, nesta terça, uma série de reportagem para discutir as causas e consequências do problema

Um inimigo em comum atormenta os 12 clubes do Campeonato Pernambucano: as lesões nos joelhos. Não importa a cor da camisa, ou a situação na tabela, o problema pode surgir em qualquer lugar, a qualquer hora. Este ano, em menos de um mês de competição, seis jogadores já romperam o ligamento cruzado anterior. No Náutico, as vítimas foram Rogério e Cascata, além de Willian Rocha, do Sport, Carioca, do América, Fábio Silva, do Salgueiro, e Romero do Central.
A série de lesões provocou um debate sobre quais os fatores poderiam contribuir para este grave cenário. Um dos maiores especialistas em ortopedia do país, o médico Romeu Krause, acredita que não existe um único fator determinante. Para o ortopedista, as lesões podem ser atribuídas a três situações.


- Na minha visão, três fatores contribuem para isso. Nós temos uma pré-temporada muito curta, onde os jogadores não conseguem se preparar. Além disso, o nosso calendário é muito apertado, onde os atletas não conseguem se recuperar adequadamente entre uma partida e outra. Aliado a isso, temos as péssimas condições dos gramados. Acredito que isto são os principais fatores. Seria ótimo se o responsável por isso respondesse sobre esse tipo de situação.


De acordo com Romeu Krause, o fato do atleta não ter tempo adequado para preparação afasta a possibilidade dos jogadores treinarem para evitar alguns acidentes.
- Todo atleta precisa se condicionar para prevenir qualquer situação. Um piloto de Formula 1 treina os reflexos para antevir qualquer acidente. Mas o atleta de futebol não possui esse período. Um bom exemplo disso é o Rogério, que poderia ter percebido que se machucaria, mas não teve o reflexo suficiente.
Esta também é a opinião do médico do Náutico, Fábio Ribas. De acordo com o alvirrubro, apesar da lesão ser considerada algo comum entre jogadores de futebol, não se pode fechar os olhos para o grave problema do calendário nacional.
- Temos vários fatores. Mas certamente não temos um período adequado para preparação. Por lei, todo atleta tem o direito de ter férias. Com isso, a pré-temporada fica muito apertada, uma vez que nosso calendário possui muitos jogos. Apesar de não ser muito noticiado, esse tipo de lesão é muito comum, mas como estão acontecendo em sequência, gera uma certa polêmica.
Para médico do Sport, falta de sorte é outro fator


Mas nem todos os médicos concordam com essa posição. O exemplo disso é o médico do Sport, Paulo Girão. De acordo com o rubro-negro, as lesões de ligamentos são fruto de fatalidade. Na opinião do médico, a falta de sorte foi responsável pela contusão do zagueiro Willian Rocha.
- Não temos um padrão. São lances casuais. Futebol é um esporte de contato e que, nos últimos anos, teve uma grande evolução na parte física, que gera um jogo mais pegado. No caso do Willian Rocha, ele prendeu o pé. Foi uma fatalidade, não podemos culpar o futebol. Esse tipo de lesão sempre aconteceu. Porém, antigamente os atletas não conseguiam se recuperar e abandonavam a carreira.
Apesar de ser traumática e de levar o atleta a um longo período de inatividade, romper os ligamentos não representa o fim da carreira do jogador. Quem garante isso é o ortopedista Romeu Krause. De acordo com o especialista, o fato do atleta ter que reconstituir os ligamentos não impede que ele volte a atuar normalmente.
- Claro que um joelho operado nunca será igual a um que nunca foi. No entanto, cientificamente falando, os números mostram que a possibilidade do atleta sofrer a segunda lesão no mesmo joelho é inferior a do atleta sofrer uma lesão no outro joelho. Mesmo assim, com o avanço das técnicas, qualquer jogador que fizer esse tipo de operarão possui todas as condições de atuar normalmente.


Fonte: Globo esporte.com/pe