O brinco dourado com as iniciais WN contrasta com o jeito tímido e humilde. Personalidade que levou Wellington Nem a recusar uma prosposta de 4,5 milhões de euros (cerca de R$ 10,8 milhões) do CSKA-RUS em busca do sonho de ser firmar com a camisa do Fluminense. Após deixar as Laranjeiras em fevereiro de 2011 como um jogador da base sem espaço, o atacante volta para casa um ano depois com o prêmio de revelação do Campeonato Brasileiro debaixo do braço. Uma mudança e tanto que teve o Figueirense, o técnico Jorginho e até mesmo o padrinho Deco como fatores principais. Agora novamente com a camisa do Tricolor, Nem só pensa em brilhar no clube de seu coração e garante até não temer a dura concorrência de jogadores consagrados como Fred, Rafael Sobis, Rafael Moura e Martinuccio na luta por uma vaga na equipe do técnico Abel Braga.
- Sinceramente? Não me preocupa. Estou de volta ao Fluminense para trabalhar e dar meu máximo. Sei que lutarei por uma vaga contra grandes jogadores, mas assim que é bom. É sempre importante disputar posição com alguém do seu nível, ou melhor - declarou o jogador de 19 anos ao site esportivos que na sala de sua casa, no bairro de Guaratiba, Zona Oeste do Rio, a cerca de 66km das Laranjeiras.
Em sua primeira passagem pelo Fluminense, dos 13 aos 18 anos, Wellington Nem se habituou a acordar cedo para treinar e enfrentar a distância de duas horas e meia, com trânsito, até a sede tricolor. Quando a atividade era às 9h, o jogador se levantava às 5h. Após o sucesso, a família Sanchez Aguiar já prepara a mudança com destino à Barra da Tijuca.
A conversa com a reportagem do GLOBOESPORTE.COM foi ainda na casa onde Wellington cresceu e também no gramado da Associação Atlética de Guaratiba, palco de seus primeiros passos no futebol. Ao lado do afilhado Davi, de apenas dois anos, Nem elegeu os momentos mais marcantes da temporada 2011, agradeceu a ajuda do técnico e amigo Jorginho, relembrou sua saída do Tricolor ao dizer que sequer tinha vontade de assistir aos jogos da equipe, comentou a amizade com o apoiador Deco e revelou a meta de ganhar espaço no elenco durante o Campeonato Carioca.
Confira a íntegra da entrevista abaixo:
TEMPORADA 2011
Foi, sem dúvida, o ano mais importante da minha carreia. No início do ano, ninguém acreditava em mim. Só eu e a minha família. Foi uma temporada maravilhosa que ficará guardada em minha memória para sempre.
FIGUEIRENSE
O começo foi difícil. Eu não estava jogando e liguei para meu empresário pedindo para voltar. Chorava com a situação. Mas ele me aconselhou a esperar um pouco mais. Meu pai e minha mãe disseram o mesmo. Joguei pouco no estadual e depois os três primeiros jogos do Brasileiro, mas logo acabei no banco. Mas me segurei até surgir outra oportunidade no fim do primeiro turno. Dai não saí mais. Guardo só lembranças boas do Figueirense. Fiz muitos amigos por lá. Tenho um carinho enorme pelo clube. A cidade também me acolheu de braços abertos. Espero ter a oportunidade de voltar ao Figueira um dia. Só tenho a agradecer por tudo que fizeram por mim. Sempre estarei na torcida.
JORGINHO
É um dos técnicos mais importantes da minha carreira. Ele me ajudou muito no Figueirense. Me ensinou a marcar, me colocou no ataque... Sempre que puder vou ligar para ele para conversar e agradecer. É um cara espetacular.
MELHORES MOMENTOS NO ANO
Os jogos contra Palmeiras, Grêmio e Cruzeiro, todos no segundo turno, me marcaram muito. Mas o momento mais feliz foi quando voltei ao time. Eu estava me recuperando de lesão e não enfrentei o Fluminense no Rio. Mas dai me ligaram e mandaram eu ir direto para São Paulo enfrentar o Corinthians. Na preleção eu percebi que seria titular. Foi uma surpresa. Depois ainda tive a felicidade de marcar um gol naquele jogo. Foi a partida mais marcante. Já o gol mais bonito foi contra o Grêmio.
SAÍDA DO FLUMINENSE
Um dia, o Alcides Antunes (então vice-presidente de futebol) me chamou para conversar e disse que eu ia ser emprestado. Depois meu empresário disse que eu iria para o Figueirense. Confesso que fiquei triste, desanimado. Nem queria mais ver os jogos do Fluminense. O clube poderia te me dado mais valor. Queria pelo menos uma chance para mostrar meu futebol no Fluminense. Se eu fosse mal, tudo bem. Mas nem isso eu tive. Naquela época eu estava voltando de 7 meses parado por causa de um problema no púbis. Quase tive de operar. Depois, coloquei a cabeça no lugar e dei tudo de mim para entrar em forma e ir bem. No fundo, foi bom ter saído para pegar experiência e jogar na Série A.
NEM 2010 X NEM 2011
O Wellington que deixou o Fluminense não tinha experiência, nunca tinha jogado entre os profissionais, estava voltando de contusão. Agora é um jogador que volta muito mais maduro, experiente e confiante.
PROPOSTA DO CSKA
Preferi ficar no Fluminense com a minha família. Sou muito novo ainda. Na minha decisão pesou a vontade de defender o Fluminense e a proximidade da família. Estou em uma crescente boa. Ir para a Rússia agora não era a melhor opção. A adaptação seria complicada e eu ia acabar querendo voltar. Tenho confiança e, se Deus quiser, vou ser muito feliz nas Laranjeiras. Quero jogar no Fluminense para realizar o sonho do meu pai. Quero fazer um bom Carioca e conquistar títulos para fazer a torcida sorrir.
CONCORRÊNCIA NO ATAQUE
Sinceramente? Não me preocupa. Estou aqui para trabalhar e dar meu máximo. Sei que lutarei por uma vaga contra grandes jogadores, mas assim que é bom. É sempre importante disputar posição com alguém do seu nível, ou melhor. Assim a motivação para dar o máximo é a maior possível. Se Deus quiser vou conseguir meu espaço no Fluminense.
AMIZADE COM DECO
Eu ia subir oficialmente para o profissional ainda com o Cuca, no início de 2010. Mas veio o problema no púbis que me tirou dos gramados por sete meses. Quando o Deco chegou, em agosto daquele ano, eu ainda estava machucado. O departamento médico cogitava até uma operação, mas ele resolveu me ajudar antes. Conversamos, ele me levou no denstista... Foi bem legal. Acabei não precisando operar e me recuperei bem. Gosto muito do Deco. Troquei a camisa com ele no jogo contra o Figueirense e vou fazer um quadro para guardá-la. Conversamos também no Craque do Brasileirão. É o meu padrinho nas Laranjeiras. Se Deus quiser, vai me dar muitos conselhos e me ajudar muito quando eu voltar.
FOCO NO CARIOCA
Abel já disse que pretende utilizar uma equipe mista no estadual. Pode ser a minha grande chance. Quero fazer uma boa pré-temporada para pegar ritmo de jogo logo. A sequência no Carioca pode me ajudar a conquistar, mesmo que devagar, um espaço na equipe.
MUDANÇA DE POSIÇÃO
Foi boa. Deu certo, né? (risos). É claro que se o Abel precisar, posso jogar de meia como sempre fiz nas divisões de base. Mas hoje eu prefiro jogar como atacante aberto pela direita.
DUPLA COM FRED
Já imaginou? Eu penso nisso sim. Seria demais. Espero que seja uma dupla que dê certo e faça muitos gols para alegrar a torcida.
PRIMEIRA LIBERTADORES
Será maravilhoso disputar essa competição. Cheguei perto de ajudar o Figueirense a se classificar, mas em 2011 vou ter a chance de participar pela primeira vez. Antes do jogo em Florianópolis (Fluminense 4 a 0, no dia 20 de novembro, no Orlando Scarpelli), ficou aquela situação estranha. Não sabia se ia jogar. Imagina se eu arrebento na partida e atrapalho a classificação tricolor? (risos). Graças a Deus deu tudo certo e, no fim, o Flu conseguiu sua vaga e o Figueirense fez uma boa campanha no Brasileirão.
APELIDO
O apelido surgiu dos amigos cariocas. Eles sempre chamavam os outros de Nem. E eu sou baixinho. Pegou. Nesse retorno, quero manter o nome e ser chamado de Wellington Nem. Está dando certo (risos)
Fonte: Informativo Esportivo Toritamense.
