Fusão do PSB com PPS mais perto de não ocorrer

O processo de fusão entre o PSB e o PPS será adiado. Representantes dos dois partidos não confirmam, mas os gestos falam por si. O congresso que o PSB faria no dia 20 foi cancelado. E o PPS reúne nesta quinta (11), em Brasília, sua Executiva para debater o assunto. Na próxima terça-feira (16), Carlos Siqueira, presidente do PSB, e Roberto Freire, líder do PPS, farão uma entrevista coletiva para anunciar a decisão.
“Da nossa parte, está mantida a proposta de fusão, mas para um momento em que a discussão estiver mais amadurecida. Não está descartada”, afirmou Siqueira. Segundo ele, pesou a favor do adiamento da votação da Reforma Política. A ideia é que o processo seja retomado após as eleições de 2016. A decisão de adiar o congresso e, consequentemente, o processo de fusão foi tomada nesta quarta (10) em Brasília, num almoço entre Carlos Siqueira, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, o vice-governador de São Paulo, Márcio França, e o ex-deputado federal Beto Albuquerque.
A interrupção do processo representa uma vitória do grupo político de Pernambuco. A fusão era defendida, principalmente, por Márcio França. A conversa definitiva, inclusive, ocorreu há cerca de dez dias, no casamento do filho de França, onde a cúpula do PSB compareceu em peso. Inicialmente, a união das legendas foi aprovada por Paulo Câmara e o prefeito do Recife, Geraldo Julio. Dias depois, ambos reviram seus posicionamentos e trabalharam nos bastidores do partido pelo naufrágio da ideia.
O adiamento da fusão não significa que os dois partidos se manterão afastados. As duas legendas deverão caminhar juntas a partir de agora. As conversas sobre uma aliança já foram iniciadas para o pleito do próximo ano. O PSB tem planos de lançar candidatos a prefeito em cerca de 10 capitais, enquanto o PPS entrará na disputa em cinco. O apoio será mútuo, garante um nome socialista.
“Até o final da semana a gente vai ter uma posição sobre isso. Nós abrimos um processo de discussão para saber se era possível. Não é que a fusão veio e naufragou. Nós abrimos o processo de discussão e estamos concluindo. Por tudo que já foi noticiado, foi visto que está caminhando para continuar esse debate, mas não nesse momento”, declarou o prefeito Geraldo Julio.
Um dos fatores que pesou para o PSB declinar da fusão foi o fator de abrir mão de um terço dos diretórios e a saída anunciada de alguns quadros.
“Quando se iniciaram as conversas a discussão também era de se fazer uma incorporação, dessa forma não se corria o risco de se abrir uma brecha para a saída de alguns quadros do partido. Mas as conversas acabaram seguindo para a fusão”, declarou Paulo Câmara à Agência Estado.
“O PSB não gostou da ideia de perder quadros de poder. Pernambuco teve um peso muito grande na não-consolidação da fusão”, opinou a presidente do PPS-PE, Débora Albuquerque.
do Jc Online.