Antes criticado, estádio Lacerdão passa por reformas para o Estadual Melhorias no gramado e na estrutura foram feitas e deixam a casa centralina na condição de melhor do interior

'Isso aqui é um pasto!' A ironia de Alexandre Gallo, então técnico do Sport, pode não ter soado politicamente correta, mas em sua essência trazia uma crítica pertinente. O ano era 2007, Campeonato Pernambucano, e foi dita ainda no 'gramado' do estádio Luís Lacerda, casa do Central, após um encontro entre as duas equipes no Estadual daquele ano.
Com um piso irregular, onde a grama tinha uma coloração indefinida (talvez 'próxima' do verde), e com areia presente em boa parte dos 105m x 70m do campo, o Lacerdão não se permitia a defesa. Nos anos seguintes a situação melhorou um pouco, mas o piso do maior estádio do interior de Pernambuco, que tem capacidade para 25 mil torcedores, sempre esteve muito, mas muito distante do ideal.


Mas em 2012, a história mudou. Após ser submetido a maior reforma depois da reinauguração, em 1980, quando ainda se chamava Pedro Vitor de Albuquerque, o Lacerdão será uma das 'jóias' do Pernambucano deste ano e não servirá de desculpas para muitos 'pernas-de-pau' justificarem a falta de intimidade com a bola por causa do gramado - que está uma beleza.
Quase R$ 200 mil foram gastos nas reformas do estádio. 128 caminhões de areia a R$ 400, R$ 50 mil na pintura, R$ 80 mil em grama, fora melhorias nos vestiários e cabines de imprensa.
Todo estádio está sendo pintado e desenhos da Patativa, pássaro mascote do clube, estão sendo decoram as arquibancadas.
- Temos agora um estádio que é motivo de orgulho para o povo de Caruaru e de todo o Agreste. O esforço valeu à pena e quero ver agora alguém falar mal do Lacerdão - provoca o diretor de Patrimônio do Central, Edmilson de Paula, o Missinho.
A admiração é tamanha, que muitos torcedores vêm acompanhando das arquibancadas o andamento das reformas.
- Eu mesmo dou sempre um jejtinho de fugir da empresa, digo que vou pagar uma conta e venho aqui diariamente ver como andam as obras. Tá bonito demais - diz um torcedor, que, compreensivelmente, pediu para não ser identificado.


O Lacerdão é de fato um dos cartões postais de Caruaru, município do Agreste pernambucano, que fica a 130 km do Recife. Situado na coração da cidade, na avenida Agamenom Magalhães, é passagem obrigatória dos turistas e um dos pólos comerciais do bairro de Maurício de Nassau, já que o estádio tem 28 lojas nos seus arredores, que rendem aproximadamente R$ 30 mil mensais em algueis ao Central.
- Confesso que eu nem sabia da existência do Central. Quando aqui cheguei, fiquei impressionado com o tamanho desse estádio. Lá no Rio, apenas o Vacso tem um maior, já que as Laranjeiras, o Caio Martins e a Gávea, casa do meu Flamengo, são muito pequenos - afirma um impressionado Luis Alberto, estudante carioca, de 22 anos, que passa férias no Recife.
Luis Alberto não conhecia a Patativa, mas o Flamengo dele não guarda boas lembranças de Caruaru. Com Zico e companhia, em 1986, o rubro-negro foi derrotado por 2 a 1, no jogo que marcou o recorde de público do Lacerdão: 24.450 torcedores.


Bons tempos, que seu Serverino Celestino dos Santos, de 75 anos, acredita que vão estar de volta este ano. Pinto, como é conhecido no clube, tem 33 anos dedicados ao Central e sempre trabalhando no gramado.
- Chega dá gosto ver o gramado desse jeito. Eu já era apaixonado por esse estádio com ele 'estragadinho', imagine agora. É o amor da minha vida - derrete-se antes de mandar um recado ao técnico Alexandre Gallo.
- Quero ver aquele 'cabra' ou qualquer outro falar mal agora. Pasto é o passado. Isso aqui tá um tapete, uma maravilha.

Fonte: Globo esporte.com/pe