O Informativo Esportivo Toritamense dá continuidade à série de retrospectiva do Trio de Ferro da capital pernambucana. Depois do Santa Cruz, é a vez de lembrar como foi o ano do Timbu. Em 2011, o Alvirrubro tinha dois grandes objetivos em mente: primeiro, evitar a conquista do hexacampeonato estadual pelo maior rival; depois, levar o escrete vermelho e branco de volta à Primeira Divisão Nacional. O objetivo primário foi alcançado graças ao Santa Cruz, é bem verdade, mas pouco se comparou ao segundo. Na raça, na luta, na garra, o Timbu carimbou seu passaporte para Série A, colocou um ponto final na participação de dois anos na Segundona – este com o vice-campeonato da Série B – e ficou consagrado como o "time de guerreiros".
Este ano pode ser dividido em dois momentos para o Náutico. A pressão inicial pela tentativa de conquista do Campeonato Pernambucano foi o mote do primeiro semestre. Afinal, ali estava em jogo não somente o título, mas também - e principalmente - a chance de evitar que o arquirrival chegasse à série exclusiva de competições estaduais consecutivas do Timbu: o famoso hexacampeonato. Comandados pelo então treinador Roberto Fernandes, a equipe até chegou com favoritismo, mas viu seu outro rival, o Santa Cruz, tirar o título das mãos do Sport e assegurar ainda a marca alvirrubra dos seis campeonatos pernambucanos seguidos.
Foi então que, passada a tensão do Pernambucano, o Alvirrubro encontrou o “paizão” que o levaria a conquistar seu grande objetivo de 2011: o de voltar à Primeirona. Embora contestado de início, o treinador Waldemar Lemos transformou o elenco do Náutico em uma grande família e soube tirar o máximo de cada jogador. O resultado, após as 38 rodadas da Série B, não poderia ser outro: acesso garantido e Timbu confirmado na principal competição nacional em 2012. E o melhor é que o Alvirrubro chegou ao final da Segunda Divisão com o vice-campeonato em mãos e a invencibilidade nos Aflitos.
O hexa é só nosso:
Desde que o Sport conquistou o pentacampeonato estadual no ano passado, somente um objetivo era nítido para os alvirrubros em se tratando de Campeonato Pernambucano. O Náutico tinha de qualquer forma evitar o hexacampeonato do maior rival. Em jogo, estava a conquista exclusiva do clube da Rosa e Silva, que, entre os anos de 1963 a 1968, levantou a taça do Estadual consecutivamente.
A trajetória alvirrubra começou avassaladora no Pernambucano 2011, o que já dava indícios de um confronto épico contra os rubro-negros numa possível final do campeonato. O Timbu terminou a primeira fase do certame em primeiro, com 47 pontos, estes representados pelas 14 vitórias, 5 empates e apenas 3 derrotas no currículo, o que contabilizou um aproveitamento de 71%. Todos os pré-requisitos para chegar à fase final e passar por cima de qualquer adversário.
Mas eis que, nas semifinais, o Timbu viu o Leão em seu caminho precocemente. Pior: o arquirrival conseguiu a passagem para a final do Estadual – graças a uma vitória na Ilha (1x3) e derrota nos Aflitos (3x2) – e a estrada ficou “livre” para o hexacampeonato rubro-negro. Ledo engano. O Náutico respirou aliviado quando o rival Santa Cruz, que corria por fora na competição, despachou o Leão e assegurou o título. O hexa continuou exclusivamente nos Aflitos e permaneceu sendo um "luxo".
Fôlego apenas até as oitavas
Na competição considerada o caminho mais curto rumo a Libertadores da América, o Náutico chegou apenas até as oitavas de final. Após começar o torneio com uma derrota por 2 a 1 para o Trem-AP, o Timbu se recuperou nos Aflitos e aplicou uma goleada de 6 a 0 na equipe adversária. Na segunda fase, o Alvirrubro nem precisou do jogo da volta: eliminou o Bangu-RJ com uma vitória de 2 a 0 no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda.
Porém, o adversário do Timbu nas oitavas de final era nada menos que o time que seria o campeão da Copa do Brasil 2011, o Vasco. Mesmo jogando nos Aflitos, o time carioca venceu o Náutico por 3 a 0 no jogo de ida, empatando a partida de volta em 0 a 0 e fazendo o Timbu voltar de São Januário sem a vaga nas quartas de final na bagagem.
Acesso à Série A, vice-liderança e invencibilidade caseira
Acesso para a Primeira Divisão conquistado com uma rodada de antecedência e vice-líder da Série B. Os resultados do Náutico não deixam mentir: o Timbu fez uma campanha praticamente irretocável no Campeonato Brasileiro 2011. Ao todo, foram 26 rodadas, das 38 do torneio, no G-4, resultado de 17 vitórias, 13 empates e apenas oito derrotas, o que corresponde a um aproveitamento de 56%.
Mas certamente nem o mais otimista dos torcedores alvirrubros poderia imaginar que o desempenho do Timbu nesta Série B seria tão bom. Sobretudo depois da primeira rodada da competição, quando o Náutico foi goleado por 4 a 0 pela Portuguesa, no Canindé, em São Paulo. A trajetória do Alvirrubro no torneio, que aparentava que seria marcada pela irregularidade e pela agonia, se revelou, na verdade, ascendente e vitoriosa. O Náutico balançou as redes adversárias 51 vezes, sendo 21 delas com o atacante Kieza, artilheiro do campeonato.
Além do goleador alvirrubro, outros “guerreiros” merecem destaque pela ótima campanha do Timbu na Série B. O goleiro Gideão, com suas grandes defesas; a segurança de Marlon e Ronaldo Alves na zaga; o trio de ferro alvirrubro formado pelos volantes Everton, Elicarlos e Derley; e o bom desempenho de Eduardo Ramos na criação das jogadas. Mas boa parte do mérito do sucesso do Timbu deve ser dado ao técnico Waldemar Lemos. Ele chegou aos Aflitos cercado de desconfiança por parte da torcida e até de dirigentes do clube, mas conseguiu unir o grupo, extraindo dos jogadores o melhor que eles podiam dar dentro das quatro linhas. Merece destaque também a torcida do Náutico, que fez do estádio um caldeirão e foi uma das principais responsáveis pela invencibilidade do Timbu nos Aflitos neste Campeonato Brasileiro.
Eleições diretas e casa nova
Fora do campo, o Náutico também tem um grande feito a comemorar. Pela primeira vez em sua história, o Timbu realizou eleições diretas para presidente do clube com a participação de seus sócios. A iniciativa, pioneira no Nordeste, resultou na escolha do administrador Paulo Wanderley como sucessor do advogado Berillo Júnior.
Os dirigentes alvirrubros ainda fizeram história ao decidir, por meio do Conselho Deliberativo, sobre a ida para a Arena Pernambuco a partir de 2013. Com a decisão, o time alvirrubro passará a jogar no moderno estádio que está sendo construído em São Lourenço da Mata e arrendará a área dos Aflitos onde se encontra o atual campo de futebol. A parceria com o consórcio responsável pela Arena Pernambuco e o arrendamento dos Aflitos irão ampliar a receita do Timbu nos próximos anos.
Fonte: Globo esporte.com/pe


